Mulheres sangram

Falar sobre sangue menstrual é um grande tabu diante da nossa sociedade. 

Os ciclos femininos são espirais de vivências imbuídas do feminino que habita os corpos das mulheres. A cada ciclo uma nova experiência se manifesta trazendo diversas emoções, essas emoções são marcadas por questões a serem trabalhadas de acordo com o que cada mulher vive e sente.

Todas as mulheres sangram todos os meses, este é um processo natural que faz parte da vida de muitas mulheres e é graças a esse sangue que aqui estamos, porque o sangue é o grande responsável pelo processo de reprodução dos humanos.

Útero

O útero muito além de um órgão é um centro de força e criatividade. O útero com sua capacidade de criar, gerar e nutrir pode transformar tudo à sua volta sendo assim a energia é tão potente que o útero é o segundo coração da mulher, é um portal para a vida que acolhe a energia vital emanando força.

Nesse centro de poder guardamos memórias ancestrais, memórias de relacionamentos antigos, emoções e sentimentos. Por essa razão o útero deve ser visto com muito carinho, acolher e acessar a energia que vibra dentro dele é de extrema importância.

Nós mulheres passamos por algumas fases no decorrer do nosso ciclo acessando arquétipos femininos que influenciam cada momento de nossas vidas.

A fase folicular que é a primeira fase do ciclo menstrual se inicia no primeiro dia da menstruação e segue até a ovulação. Na fase ovulatória o hormônio FSH (hormônio folículo estimulante) entra em ação dando início ao processo de maturação dos folículos nos ovários que tem como função regular a atividade dos ovários estimulando a secreção de estrogênio.

O nível de estrogênio cresce nessa fase fazendo assim com que haja mais energia, disposição e libido. Nessa fase as mulheres se sentem mais felizes, dinâmicas e otimistas, isso porque acontece um aumento significativo de serotonina que promove um sentimento de felicidade e bem-estar. A sensação primordial nesse novo ciclo é de reinício, trazendo a criatividade, motivação e prazer a tona.

A fase Lútea acontece depois da ovulação sendo assim a segunda fase do ciclo, ela acontece a partir do primeiro dia da ovulação e vai até um dia antes da menstruação quando se inicia um novo ciclo menstrual. Depois que a ovulação acontece o folículo vazio que é o espaço onde os óvulos ficam guardados passa por uma transformação temporária tornando-se o corpo lúteo.

O corpo lúteo é responsável por produzir progesterona este atua no endométrio tornando-o nutritivo permitindo a sustentação de uma possível gestação. A progesterona é um hormônio calmante que modera o humor, de grande importância para a saúde da mulher.

Menstruação

Se o óvulo não é fertilizado após a ovulação, o corpo lúteo deixa de produzir progesterona desintegrando-se. Com a desintegração do corpo lúteo acontece uma queda nos níveis hormonais, essa mudanças internas hormonais desencadeiam mudanças de humor nas mulheres.

Em torno de 4 dias ou mais após esse processo é que vem a menstruação, durante essa fase podemos sentir cansaço físico porque há uma queda de energia significativa. Quando acontece a menstruação uma nova fase se folicular se inicia dando início a um novo ciclo.

Onde as mulheres foram colocadas

Durante nossa história social as potências femininas foram inferiorizadas tornando o processo de cuidado com o corpo, mente, cuidados com a natureza, relações pessoais e comunitárias invisível diante dos olhares de uma sociedade capitalista que vê os corpos femininos como produtos.

A objetificação dos corpos femininos coloca as mulheres em um padrão de beleza inexistente, implica encaixar as mesmas em dogmas religiosos e ditar seus comportamentos, oprimindo as características multidimensionais de um corpo que se sustenta através de suas potencialidades.

Esse padrão de comportamento fez com que fossemos perdendo a memória sobre conhecimentos básicos acerca da intuição, nos distanciando cada vez mais dos nossos desejos, sexualidade e autocuidado. Com isso os caminhos para a cura tanto coletiva quanto individual foi se apagando e a arte de acolher umas às outras foi se perdendo.

Desafios de sobrevivência se colocam diante do caminho de muitas mulheres as quais lutam para transpassar questões relacionadas a etnia, classe, cor, direitos igualitários e muitos outros, diante de um sistema conservador que poda nossas raízes e nos distancia de nós mesmas.

As gerações vão avançando e com ela a esperança de trazer mudanças significativas na história buscando abrir os caminhos para conquistar aquilo que é direito de cada uma, desconstruindo padrões opressores que seguem enraizados sobre nosso comportamento, sobre a sexualidade feminina, as formas de nossos corpos, nosso sangue, nossos pelos…

Reconexão menstrual

A força feminina nos ensina a amar umas às outras como parte de um todo, e somos uma com a terra nos tornando uma grande e divina energia de luta, força e presença. O mergulho em si, abre inúmeras possibilidades para conexões com outras mulheres, a partir dessa conexão criamos empatia pela realidade de muitas irmãs e isso acontece em todos os planos, mas parte do momento presente, da ação.

Explorar o próprio ciclo é muito importante nesse processo porque é a partir daí que encontramos caminhos para nos escutarmos e sermos simpáticas com quem nós somos. Desse estudo nasce o encontro com a nossa natureza cíclica conectando-nos com a liberdade de ser e sentir.

As mulheres estão diretamente conectadas com a terra que é a presença feminina mais forte que há, a vida flui através do útero de todas as mulheres que existem até mesmo aquelas que não possuem esse órgão. Somos um grande canal que conecta a vida a existência e isso deve ser considerado e honrado.